Detalhes do produto
Alvo de inúmeras controvérsias, o teísmo aberto provocou o surgimento de diversas questões:
Como devemos entender passagens que afirmam que Deus se arrepende? Teria a filosofia grega manchado de maneira decisiva o teísmo clássico? Alguns fundamentos do cristianismo estão ameaçados nesta questão? Onde, quando e por que deveríamos traçar novas fronteiras teológicas? O teísmo aberto estaria além delas? Teólogos renomados se uniram para examinar a mais recente literatura sobre o teísmo aberto e orientar a igreja neste momento de debate acirrado. Prepare-se!
Autores John Piper é doutor em Teologia e pastor titular da Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, e autor premiado. Justin Taylor é diretor de recursos teológicos e educacionais no ministério Desiring God.
Paul Kjoss Helseth (Ph.D) é professor assistente de Bíblia e Filosofia no Nortwestern College e autor de diversos artigos acadêmicos.
Especificações do produto
Sumário
Prefácio à edição brasileira
9 Prefácio à edição original
11 Colaboradores
15 Introdução
17 PARTE
1 – Influências históricas
1. Os rabinos e as declarações dos defensores do teísmo aberto Russell Fuller
27 2. Defeitos genéticos ou similaridades acidentais? A ortodoxia, o teísmo aberto e suas ligações com as tradições filosóficas ocidentais Chad Owen Brand
50 PARTE 2 – Pressuposições filosóficas e contexto cultural
3. Liberdade verdadeira: a liberdade que as Escrituras registram como digna de se possuir Mark R. Talbot
91 4. As razões pelas quais o teísmo aberto está florescendo atualmente William C. Davis
133 PARTE 3
– Antropomorfismos, revelação e interpretação
5.Glória velada: a auto-revelação Deus em forma humana — uma teologia bíblica da automanifestação antropomórfica de Deus A. B. Caneday
179 6. Helênico ou hebreu? O teísmo aberto e o método teológico reformado Michael S. Horton
243 PARTE 4 –
O que está em jogo no debate sobre o teísmo aberto?
7. A inerrância das Escrituras Stephen J. Wellum
289 8. A fidedignidade de Deus e o fundamento da esperança Paul Kjoss Helseth
340 9. O evangelho de Cristo Bruce A. Ware
383 PARTE 5 – Definição de fronteiras e conclusões
10. Por que, quando e para que devemos definir novas fronteiras? Wayne Grudem
419 11. Motivos de desânimo: o erro e a injúria do teísmo aberto John Piper
455 Bibliografia sobre o teísmo aberto Justin Taylor
471 Índice onomástico
489 Índice de assuntos
496 1. Os rabinos e as declarações dos defensores do teísmo aberto Russell Fuller
I. INTRODUÇÃO
O Antigo Testamento (AT) é o campo de batalha na luta teológica entre os defensores da perspectiva do teísmo aberto e os defensores da perspectiva tradicional de Deus. Essa perspectiva, uma posição recente e incomum, desafia ensinamentos importantes, vitais e bastante estimados sobre o caráter e a natureza de Deus. Ela representa um verdadeiro abalo sísmico não apenas na teologia, mas também na História e na exegese. Pelo fato de seus ensinamentos e implicações serem tão extremos e abrangentes, os cristãos devem pesar suas afirmações com cuidado e testar suas doutrinas de maneira meticulosa. Para sermos precisos, os dois lados da disputa lançam mão da Bíblia — sobretudo do AT — para dar substância a suas posições. Para validar as afirmações da perspectiva do teísmo aberto, portanto, alguém pode apelar a um grupo de terceiros desinteressados — o qual vai agir como um juiz ou um árbitro para avaliar, de maneira imparcial, as evidências. Pelo fato de o AT ser um livro comum aos cristãos e aos judeus e estar na linha de frente desse conflito, os primeiros rabinos do Talmude e do Midrash, tal como juízes ou árbitros, podem avaliar tanto as afirmações históricas, exegéticas e teológicas quanto os ensinamentos dessa nova perspectiva. Debaixo do escrutínio e do exame rabínicos, porém, ela fracassa, seus erros fatais são expostos e suas afirmações imprecisas em relação à História, à teologia e à exegética são repudiadas. II. DECLARAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE A PERSPECTIVA DO TEÍSMO ABERTO É claro que os defensores do teísmo aberto, imediatamente, farão objeções, desafiando a imparcialidade dos rabinos. De fato, John Sanders, proponente dessa perspectiva, afirma que a filosofia grega influenciou o pensamento tanto cristão quanto judeu em relação a Deus. Sanders — que insiste que “a teologia racional helenista [...] teve um profundo impacto sobre o pensamento judeu e cristão quanto à natureza divina” — escreve: De onde veio esta perspectiva “teologicamente correta” de Deus? A resposta é encontrada em parte na maneira pela qual os pensadores cristãos usaram certas idéias filosóficas gregas. O pensamento grego desempenhou um papel amplo no desenvolvimento da doutrina tradicional de Deus. Mas a perspectiva clássica de Deus, desenvolvida na tradição ocidental, entra em choque com vários pontos-chave de uma leitura do texto bíblico. Além disso, Sanders afirma que Filo, judeu helenista do século I, conseguiu fazer uma ponte sobre o abismo entre a filosofia grega e o AT, afetando profundamente as teologias judaica e cristã. Diz ele: Filo de Alexandria foi um pensador judeu que procurou conciliar o ensinamento bíblico com a filosofia grega. Atribui-se a ele a posição de líder na formação da síntese bíblica clássica. Tanto o método quanto o conteúdo de sua síntese foram seguidos de perto por pensadores judeus, cristãos e muçulmanos de épocas posteriores. Conseqüentemente, é provável que as afirmações históricas de Sanders — sobre a influência filosófica grega e o papel de Filo na transmissão do pensamento grego para o judaísmo — desqualificam os rabinos, considerando-os juízes parciais. As autoridades rabínicas modernas, todavia, negam que a filosofia grega tenha influenciado seus antecessores. Eles não eram filósofos nem estudantes de filosofia, e tinham apenas um interesse limitado ou ocasional no assunto, como afirma o teólogo reformado (liberal) C. G. Montefiore: Outro ponto a ser lembrado com relação à literatura rabínica é que ela vem de homens cuja perspectiva era extraordinariamente limitada. Eles não tinham interesse fora da Religião ou da Lei. Haviam perdido todo o senso histórico. Não tinham interesse na arte, no teatro, nas belles lettres, na poesia ou na ciência (exceto, talvez, na medicina). Eles não tinham nenhuma formação na área de filosofia. Quão enormemente se teriam beneficiado se, sob a orientação de professores competentes, houvessem participado de um curso de filosofia e literatura gregas [...]. O AT era praticamente o único livro que possuíam [...]. Todavia, a Bíblia, e tudo o que ela implica, é o seu mundo, seu interesse supremo. Eles reuniram, é verdade, muitas idéias atuais, opiniões, superstições, de uma maneira fluida e não sistemática. Mas tudo isso foi casual e acidental [...]. Para o bem ou para o mal, os rabinos não conheciam filosofia. Vindo do outro lado do corredor teológico, o ortodoxo H. Loewe concorda: “A dialética encontrada na halacá surgiu, em grande parte, pela falta de filosofia. Os rabinos não eram filósofos [...] e, como diz o sr. Montefiore, sua visão era limitada [...]. Eles tinham apenas um pouco de familiaridade com o pensamento grego”. Naturalmente, isso não exerceu uma influência detectável nos rabinos. Abraão Cohen especula que, embora alguns deles pudessem ter conhecimento da filosofia grega, “o interesse na especulação metafísica que caracterizava os pensamentos da Grécia e de Roma não era compartilhado pelos mestres de Israel nem mesmo superficialmente”. Moore não consegue encontrar indícios da filosofia grega no pensamento rabínico: A idéia de Deus presente no judaísmo desenvolve-se com base nas Escrituras. A influência da filosofia contemporânea vista em alguns escritos judeus helênicos — Sabedoria de Salomão, Macabeus e, sobretudo, em Filo — não é reconhecível no judaísmo normativo, tanto quanto não há indícios da influência de outras religiões. De maneira similar, Adin Steinsaltz declara: Alguns dos sábios mishnaicos e talmúdicos estavam familiarizados com a literatura grega e clássica, mas esse conhecimento não teve quase nenhum impacto sobre sua maneira de pensar no que se referia à sabedoria talmúdica. Nesse aspecto, eles diferiram grandemente da comunidade judaica egípcia, que tentou mesclar a cultura grega com o judaísmo. Saul Lieberman, notadamente a maior autoridade rabínica do século XX e principal especialista na influência helenística sobre o judaísmo, admite que algumas idéias puramente gregas entraram nos círculos rabínicos, mas ficaram limitadas aos princípios éticos e ao pensamento legal. A literatura rabínica, por exemplo, está repleta de termos legais gregos e romanos, fazendo citações literais de livros de direito gentios. Contudo, Lieberman rejeita enfaticamente a influência da filosofia grega sobre o pensamento rabínico. Os rabinos nunca citaram um filósofo grego, não usaram termos filosóficos gregos e mencionam apenas um único filósofo grego de destaque: Epicuro, a corporificação da infidelidade e o “símbolo da heresia”, cujas visões os rabinos consideravam piores que o ateís