Culto à maconha e psicodelia ganha um templo nos EUA


Interior da Igreja Internacional da Cannabis tem obra de artista plástico espanhol

RIO – O artista plástico Okuda San Miguel não é homem de fazer economia. Em seus trabalhos, esbanja cores, formas, referências, ironia. Uma obra, costumeiramente associada ao surrealismo pop, que começou nas ruas e foi parar em museus, galerias, prédios comerciais, centros culturais. Agora, alcançou a glória. O espanhol de 37 anos foi o encarregado de cobrir todo o interior de uma construção do início do século XX que abriga a International Church of Cannabis. Traduzindo: Igreja Internacional da Maconha, recém-inaugurada em Denver, nos Estados Unidos. A psicodelia de Okuda, que reveste toda a parte interna do templo, parece ter encontrado ali seu habitat natural.

O monumento dedicado à cannabis é cercado de simbolismos. A começar pelo local, uma antiga igreja luterana, onde está fincado. Denver é a capital e maior cidade do Colorado, primeiro estado americano a legalizar o uso recreativo da maconha. Outro ponto importante foi a escolha da data para inauguração. A International Church of Cannabis abriu suas portas no dia 20 de abril, uma espécie de feriado em homenagem à contracultura, de modo geral, e à maconha, em particular. No formato de data adotado nos Estados Unidos, é o 4/20 (ou 4:20, ou 420), número que virou sinônimo de consumo da erva. Dizem que era às 4:20pm (16h20m, no Brasil) que estudantes dos EUA se encontravam para fumar nos pátios das universidades. A igreja, a primeira no país a reunir devotos da cannabis, não poderia, portanto, abrir mão destes signos. E não se trata de brincadeira, não. A ideia é que os seguidores da cannabis (não qualquer um, apenas os que têm propósitos espirituais, claro) tenham um local para se encontrar e trocar experiências. Os autodenominados elevationists (elevacionistas) não escolheram à toa o trabalho do espanhol Okuda. Eles defendem que lugar de reflexão e contemplação não precisa ser soturno e pouco convidativo. Detalhe: a erva, apesar de considerada sagrada por eles, não é vendida na igreja, tampouco acessórios para seu consumo.

O Globo

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