Estudo mostra que a grande maioria das mulheres americanas não se arrepende de ter feito aborto

Das 670 pessoas estudadas, 40% alegam motivos financeiros para não terem prosseguido com a gravidez

Um estudo americano envolvendo 670 mulheres que realizaram aborto dos Estados Unidos mostra que 95% delas não se arrependem da decisão. A conclusão chega após três anos de pesquisa, período durante o qual todas foram entrevistadas regularmente. A pesquisa, publicada na revista acadêmica multidisciplinar “Plos One”, foi realizada por pesquisadores de dois departamentos da da Universidade da Califórnia: o Centro Bixby Para Saúde Reprodutiva Global da Escola de Medicina e a divisão de Bioestatística.
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Do total de pessoas avaliadas, 40% justificaram a decisão com base em aspectos financeiros; 36% das mulheres disseram que “não era o momento certo”; 26% recordam que a escolha foi tomada facilmente ou muito facilmente; e 53% dizem que a decisão foi difícil ou muito difícil.

Os pesquisadores destacam que a amostra foi diversificada no que diz respeito a métricas como cor de pele, educação e emprego. Eles também procuraram mulheres com diferentes contextos de gestação. Segundo os autores, a grande maioria das mulheres que participaram do estudo sentiram que o aborto foi a decisão certa “tanto no curto prazo, como ao longo de três anos”.

Esses resultados se contrapõem, de forma estatística, à alegação de que as mulheres que abortam necessariamente lamentam o ocorrido, como campanhas antiaborto afirmam. O estudo é o cuidadoso ao evitar generalizar a conclusão. A publicação estabelece uma diferença entre ter emoções remanescentes após um aborto e lamentar o aborto completamente — dois aspectos distintos que costumam ser confundidos. De acordo com os pesquisadores, as reações melancólicas pós-aborto são normais, mas se afunilam, quase inevitavelmente, ao longo do tempo.

“Certamente, vivenciar sentimentos de culpa ou remorso no curto prazo, logo depois de um aborto, não é um problema de saúde mental; na verdade, essas emoções são uma parte normal de tomar uma decisão de vida que muitas mulheres neste estudo consideraram difícil “, diz a publicação. “Nossos resultados de declínio da intensidade emocional (…) mostram que esse sentimento fica estável e há melhora nos níveis de autoestima, satisfação com a vida, estresse, apoio social, uso de substâncias e sintomas de depressão e ansiedade ao longo do tempo pós-aborto”.

O Globo

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